conversas

Sobre os meus 35 anos

Eu estava sem escrever no blog desde outubro de 2016. Claro que passou um bocado de vida nesse meio tempo. Teve mais do mesmo, altos e baixos, Natal, Ano Novo, aniversário de 35 anos. Nesse período longe do blog, pensei inúmeras vezes em discorrer sobre alguns assuntos por aqui, mas em todas as vezes acabei hesitando. Muitas vezes, preferi a cumplicidade das páginas dos caderninhos que venho colecionando, onde vou colecionando pensamentos.

Foi graças a uma besteira que fiz, ao tentar corrigir um errinho de importação dos arquivos, que quebrei o jejum de posts. Ao atualizar algumas postagens antigas, encontrei esse texto aqui. Li cada palavrinha e me deu um “negócio” aqui dentro. Brinco comigo mesma que existe uma Raquel antes e depois dos 30 e não é somente pela “idade” que virou mas pelo diagnóstico de uma doença que transformaria todo o meu estilo de vida, desde então.

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Foi aos 30 que eu operei pela primeira vez.

Que me vi sozinha em um quarto de hospital, lidando com a dor e com o medo.

Fui obrigada a aceitar que nada seria mais como antigamente.

Pedi demissão e desde então nunca mais fui CLT.

Saí da casa dos meus pais e “casei”.

Chorei e sofri, muitas vezes sem que ninguém percebesse.

Sorri e fui feliz, muitas vezes sem que ninguém percebesse.

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Mas, o principal: virei uma chave na vida que determina o que vale e o que não vale carregarmos conosco pelo resto de nossos dias.

É preciso viver certas bads pra gente mudar o rumo das coisas. Anos depois, mais precisamente em julho de 2016, vivi novamente essa mudança no eixo gravitacional de si mesmo. Aquela porrada que te desconcerta mas ao mesmo tempo te alinha. Parece bobagem mas pensa se não faz sentido isso que tô dizendo?

Cá estou, novamente, escrevendo sobre marcos. Hoje estou com 35 anos. Já pertenço à categoria “peles maduras” da maioria dos produtos de beleza. Não fosse o rostinho de menina, as pessoas certamente me dariam mais idade. Mas, ao comparar fotos antigas, consigo enxergar os sinais de que o tempo está passando rapidamente. A pele não é mais a mesma, tão firme como outrora. No canto dos olhos, já enxergo aquele famoso “pé de galinha”; alguns fios de cabelos brancos insistem em surgir, com mais frequência (mas a genética aqui é boa, vide vó materna e papai, que conseguem manter uma cabeleira levemente grisalha, apesar da idade).

Nos últimos anos eu reaprendi a andar. Aprendi a correr. Passei a comer melhor, ser mais saudável, mais leve. Li menos, vi mais séries. Redefini o conceito de entretenimento e me tornei uma pessoa que entende bastante de seriados, me afastando dos livros e da música. A Raquel de 35 é muito mais legal que a Raquel de 30. Mais segura, confiante, dona de si. E que assim seja.

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8 Comments

  • Reply Karin Paredes 17 de janeiro de 2017 at 8:27 am

    Que texto Raquel!!!

    Às vezes fico pensando sobre os 30 anos, fazer 30 e essas coisas todas que essa idade (maravilinda, dia-se de passagem) nos traz.
    Sempre lembro do filme De repente 30 e sua frase: “30 anos, a idade do sucesso. 30 anos, a idade do sucesso”
    E acredito que os 30 anos é a idade do sucesso.
    Mas não sucesso em seu sentido literal. Mas sucesso como algo para nós, um auto-conhecimento, uma introspecção “do bem” e o estar bem com si, sabe!
    Nunca me imaginei aos 30 anos (e seus anos seguintes). A minha vida era sempre imaginada no período dos 20 e poucos anos. Mas essa vida nessa década linda está se saindo muito melhor do que minha vida dos sonhos que eu teria aos 20.
    Mil beijos

    • Reply Raquel Arellano 17 de janeiro de 2017 at 10:31 am

      A gente passa boa parte da infância e adolescência se imaginando no começo da fase adulta: faculdade, emprego, independência pra viajar, sair sem hora pra voltar… Aí essa fase passa e a gente adentra um mundo desconhecido, até então “não pensado” e aos poucos vai descobrindo que estamos distantes daquela pessoa “lá atrás”, embarcando numa fase também cheia de descobertas mas boas certezas e aprendizados.

      Fico imaginando a sensação de entrar nos 40. Deve ser bem bom também! 🙂

  • Reply Bel 23 de janeiro de 2017 at 11:11 am

    Amei o texto, Raquel, de verdade. Tenho 27 anos mas acho que já estou vivendo a fase pré-30 e eu nem imaginava que passaria dos 25! Rs! Mas o que mais tenho aprendido sobre ‘crescer’ é ser seletiva e madura. É engraçado que eu já não cometo mais alguns erros que eu cometia aos 20, 21 e é meio até sem pensar. Você se conhece mais e sabe sobre o que gosta mas também sobre seus limites.

    Bjs
    http://belsantanna.com/

    • Reply Raquel Arellano 3 de março de 2017 at 12:01 pm

      Oi, Bel! E a gente só vai amadurecendo, sabe? Claro, precisamos estar abertos pra isso. Querer crescer, aprender, com erros e acertos. A vida vai se revelando uma grande viagem. Um beijo e obrigada pelo comentário!

  • Reply Renata 1 de fevereiro de 2017 at 1:56 pm

    Nossa, fazia tempo que buscava um blog de alguém da minha faixa etária com aquele jeitinho leve que apenas nós, conhecedoras de nossas densidades aos 30 e poucos, sabemos.
    Obrigada pelo texto! ❤

    • Reply Raquel Arellano 3 de março de 2017 at 12:00 pm

      Eu é que agradeço esse comentário tão sensível, Renata! <3

  • Reply Lara 11 de maio de 2017 at 2:46 pm

    Oi Raquel! Eu não sei se acredito em destino… mas justamente nesse outubro de 2016 tem um comentário seu no meu blog em um post sobre Mad Men, e eu acabei de ver ele novamente. Eu mesma não entrava no meu próprio blog há séculos, e também, apesar de mil trechos de livros e séries ou situações da vida terem me inspirado a escrever algo, eu acabava, por alguma razão indefinida, mas creio que mais autosabotagem do meu cérebro, desistindo de escrevê-los. Sempre caia naquilo de ¨há outras prioridades¨ e acabava não fazendo nada. Resolvi fazer uma viagem pra Europa on a super mega budget em julho, como comemoração dos 30, sozinha, ficando na casa dos hóspedes que conheci no hostel em que trabalhei em Floripa, e isso finalmente me inspirou a voltar a escrever (entre insônias e crises de ansiedade). Fiz um post essa semana e agora estou escrevendo esse comentário! acho que já são bom começos! hehehe. Vou te seguir no twitter e te acompanhar mais. Vamos nos ajudar nessa autosabotagem não escrever. Independente de dinheiro que pode entrar ou não, e de pessoas que leem ou não, sempre voltamos, e sempre nos reconectamos com algum pedacinho esquecido de nós mesmas a cada releitura de post. Super beijos. 😀

    • Reply Raquel Arellano 20 de junho de 2017 at 12:31 pm

      Estou retornando hoje ao meu blog. Li seu comentário com muito carinho e pensei “tá realmente na hora de voltar”. Voltemos sem pressa, sem cobrança, quando o coração pedir. É assim, sempre foi assim, com os blogueiros old school. Vou acompanhar seus relatos no blog e por aí (pelas redes sociais). Beijo grande! <3

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